29 de junho 2026
A alergia ao amendoim em crianças ocorre quando o sistema imunológico reage de forma inadequada às proteínas presentes nesse alimento. As manifestações podem variar desde coceira e urticária até reações graves, como a anafilaxia.
Embora algumas alergias alimentares da infância, como as relacionadas ao leite e ao ovo, possam desaparecer com o crescimento, a alergia ao amendoim e a determinadas castanhas apresenta maior tendência a persistir durante a adolescência e a vida adulta.
Neste artigo, a Dra. Lara Novaes, médica Pediatra, Alergista e Imunologista, explica quais são os sintomas da alergia ao amendoim, como o diagnóstico é realizado, quais cuidados fazem parte do tratamento e quando a criança precisa de atendimento de emergência.
A alergia ao amendoim é uma reação do sistema imunológico contra proteínas presentes no alimento. Ao identificar essas proteínas como uma ameaça, o organismo libera substâncias responsáveis pelos sintomas alérgicos.
As reações geralmente surgem poucos minutos após a ingestão, mas também podem aparecer dentro das horas seguintes. Em pessoas muito sensíveis, pequenas quantidades do alimento podem ser suficientes para desencadear sintomas.
A intensidade de uma reação futura nem sempre pode ser prevista com base em episódios anteriores. Por isso, mesmo crianças que apresentaram apenas sintomas leves precisam de avaliação especializada e de um plano de cuidados individualizado.
Apesar de ser frequentemente agrupado com as oleaginosas, o amendoim pertence à família das leguminosas, assim como o feijão, a ervilha e a lentilha.
Já as castanhas, também chamadas de frutos secos, incluem alimentos como:
Essa diferença é importante porque uma criança com alergia ao amendoim não é necessariamente alérgica a todas as castanhas. No entanto, algumas pessoas podem apresentar alergias associadas, e existe o risco de contato cruzado durante a fabricação, o armazenamento ou o preparo dos alimentos.
A exclusão de todas as castanhas não deve ser feita automaticamente. Cada alimento precisa ser avaliado pelo alergista de acordo com o histórico da criança e os resultados dos exames.
A alergia ao amendoim não possui uma única causa. Ela se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição genética, características do sistema imunológico e fatores ambientais.
Algumas crianças apresentam maior risco, principalmente quando possuem:
Ter um ou mais desses fatores não significa que a criança necessariamente desenvolverá alergia. Da mesma forma, a condição também pode surgir em crianças sem histórico familiar conhecido.
Os sintomas podem envolver a pele, o sistema digestivo, as vias respiratórias e a circulação. Entre os sinais mais frequentes estão:
Nem todas as crianças apresentam os mesmos sintomas. A reação pode começar de forma aparentemente leve e evoluir rapidamente, o que exige atenção dos responsáveis.
A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de início rápido e potencialmente fatal. Ela pode afetar diferentes partes do organismo ao mesmo tempo.
Alguns sinais de alerta são:
Diante de sinais de anafilaxia, a adrenalina é o tratamento de primeira escolha. Quando a criança possui adrenalina prescrita e um plano de ação, os responsáveis devem seguir imediatamente as orientações recebidas do alergista e acionar o serviço de emergência.
Os medicamentos antialérgicos podem auxiliar em manifestações leves, como coceira e urticária, mas não substituem a adrenalina no tratamento da anafilaxia.
O diagnóstico começa com uma avaliação detalhada do histórico da criança. O médico investiga qual alimento foi consumido, a quantidade, o tempo até o aparecimento dos sintomas e as manifestações apresentadas.
A avaliação pode incluir:
Também conhecido como prick test, avalia a sensibilização ao amendoim ou a determinadas castanhas por meio da aplicação de pequenas quantidades dos alérgenos na pele.
O exame de sangue verifica a presença de anticorpos IgE relacionados ao amendoim e a outros alimentos suspeitos.
Em algumas situações, o médico pode solicitar a análise de componentes moleculares do amendoim. Esse exame ajuda a compreender melhor o padrão de sensibilização, mas seus resultados sempre precisam ser relacionados ao histórico clínico.
Consiste na administração gradual e controlada do alimento, sob supervisão médica e em ambiente preparado para tratar possíveis reações.
O teste de provocação oral pode ser indicado quando existem dúvidas no diagnóstico ou para avaliar se a criança desenvolve tolerância. Ele nunca deve ser realizado em casa por iniciativa da família.
Um teste cutâneo ou de sangue positivo, isoladamente, não confirma que a criança tenha alergia clínica. Os exames identificam sensibilização e precisam ser interpretados pelo alergista em conjunto com os sintomas.
O tratamento depende do diagnóstico correto e das características de cada criança. A principal medida é evitar especificamente os alimentos que provocam reações.
Os cuidados costumam incluir:
A criança não deve receber o alimento para “testar” se a alergia ainda existe. Qualquer tentativa de reintrodução precisa ser definida e supervisionada pelo especialista.
Em pacientes selecionados, a imunoterapia oral pode ser considerada. O tratamento utiliza doses controladas e progressivas do alimento para aumentar a quantidade necessária para desencadear uma reação.
O objetivo geralmente é reduzir o risco causado por uma ingestão acidental. Isso é chamado de dessensibilização e não significa, necessariamente, que a alergia foi curada ou que a criança poderá consumir amendoim livremente.
A imunoterapia oral pode provocar reações e deve ser realizada apenas por uma equipe especializada, após a avaliação dos riscos, benefícios e condições clínicas da criança. Não se deve tentar esse procedimento em casa.
A alergia alimentar não deve impedir a criança de frequentar a escola, participar de festas ou realizar outras atividades. No entanto, os adultos responsáveis precisam saber como prevenir exposições e agir diante de uma reação.
É importante que a escola ou instituição tenha acesso a informações como:
A criança também pode aprender, de maneira adequada à idade, a não compartilhar alimentos, perguntar sobre os ingredientes e avisar um adulto ao perceber qualquer sintoma.
Algumas crianças podem desenvolver tolerância ao amendoim ao longo do tempo, mas isso acontece com menor frequência do que nas alergias ao leite e ao ovo.
O acompanhamento periódico permite avaliar a evolução dos sintomas e dos exames. Quando houver sinais de que a alergia pode ter desaparecido, o alergista poderá indicar um teste de provocação oral em ambiente seguro.
A família não deve fazer a reintrodução do alimento sem orientação médica, mesmo quando a criança permanece vários anos sem apresentar reações.
Para bebês que ainda não possuem diagnóstico ou sinais de alergia, a introdução do amendoim em consistência adequada durante a alimentação complementar pode ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento da condição.
O alimento nunca deve ser oferecido inteiro a bebês e crianças pequenas, devido ao risco de engasgo. Podem ser utilizadas formas apropriadas para a idade, conforme orientação do pediatra.
Bebês com dermatite atópica grave, alergia ao ovo ou reação anterior a algum alimento devem ser avaliados antes da introdução. Quando já existe suspeita ou diagnóstico de alergia ao amendoim, o alimento não deve ser oferecido em casa.
Não necessariamente. O amendoim é uma leguminosa, enquanto castanhas, nozes e amêndoas pertencem a outros grupos. Algumas crianças apresentam mais de uma alergia, mas cada alimento precisa ser investigado individualmente.
Não. O teste positivo pode indicar apenas sensibilização. O diagnóstico depende da relação entre o resultado, o histórico da criança e os sintomas apresentados após a exposição.
Sim. Algumas crianças reagem a pequenas quantidades, principalmente quando ocorre ingestão acidental ou contato cruzado. O limite capaz de provocar sintomas varia entre os pacientes.
Não. A intensidade pode variar de um episódio para outro. Uma reação anterior leve não garante que as próximas também serão leves.
Não quando existe suspeita, diagnóstico ou histórico de reação. A reintrodução deve ser indicada pelo alergista e, quando necessário, feita por meio do teste de provocação oral supervisionado.
Não. O antialérgico pode aliviar alguns sintomas da pele, mas não substitui a adrenalina na anafilaxia. A família deve seguir o plano de emergência prescrito pelo médico.
A avaliação com uma médica especialista em Pediatria, Alergia e Imunologia é importante para confirmar o diagnóstico, evitar restrições alimentares desnecessárias e criar um plano seguro para a rotina da criança.
A Dra. Lara Novaes Teixeira é Pediatra, Alergista e Imunologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, com título de especialista pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
O atendimento é individualizado e considera o histórico da criança, os sintomas, os exames e as necessidades da família.
São Paulo – Liviance Ibirapuera
Rua Agostinho Rodrigues Filho, 550
Vila Clementino, São Paulo – SP
CEP: 04026-040
WhatsApp
São Caetano do Sul – Clínica Pediátrica Crescer
Rua Espírito Santo, 315, salas 202/203
Bairro Santo Antônio, São Caetano do Sul – SP
CEP: 09530-700
WhatsApp
Se seu filho apresentou sintomas após consumir amendoim, castanhas ou alimentos que possam conter esses ingredientes, agende uma consulta com a Dra. Lara Novaes.
O diagnóstico correto permite identificar quais alimentos realmente precisam ser evitados e orientar a família sobre como prevenir e tratar possíveis reações
Especialista em Alergia, Imunologia e Pediatria, com atendimento no bairro Bela vista, em São Paulo e no bairro Santo Antônio, em São Caetano do Sul
AGENDE VIA WHATSAPP