06 de julho 2026
A conjuntivite alérgica infantil é uma inflamação dos olhos provocada pelo contato com substâncias que desencadeiam alergia, como ácaros, poeira, pólens, fungos e partículas de animais.
Coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento e inchaço nas pálpebras estão entre os sintomas mais frequentes. Diferentemente das conjuntivites causadas por vírus ou bactérias, a conjuntivite alérgica não é contagiosa.
Muitas crianças apresentam sintomas nos olhos junto com manifestações de rinite alérgica, como espirros, coriza, coceira no nariz e congestão nasal.
Neste artigo, a Dra. Lara Novaes, médica Pediatra, Alergista e Imunologista, explica como identificar a conjuntivite alérgica infantil, quais são os principais desencadeantes, como diferenciá-la de uma infecção e quais cuidados fazem parte do tratamento.
A conjuntiva é uma membrana fina e transparente que recobre a parte branca dos olhos e a região interna das pálpebras.
Na conjuntivite alérgica, essa membrana fica inflamada após o contato com uma substância à qual a criança está sensibilizada. O sistema imunológico reconhece o alérgeno como uma ameaça e libera substâncias, como a histamina, responsáveis pela coceira, vermelhidão e pelo lacrimejamento.
A condição costuma afetar os dois olhos, embora os sintomas possam começar ou parecer mais intensos em apenas um deles.
A conjuntivite alérgica pode ocorrer isoladamente, mas é frequente sua associação com rinite, asma e dermatite atópica.
Os sintomas podem ser desencadeados por alérgenos encontrados dentro ou fora de casa.
Entre os mais comuns estão:
Produtos com odores intensos, fumaça, poluição, cloro de piscina e ar muito seco também podem irritar os olhos e piorar os sintomas, mesmo que não sejam a causa direta da alergia.
Identificar em quais ambientes e situações as manifestações aparecem ajuda a direcionar a investigação.
A coceira nos olhos é um dos sintomas mais característicos da conjuntivite alérgica.
A criança também pode apresentar:
Os sintomas geralmente atingem os dois olhos e podem surgir logo após o contato com o alérgeno.
Quando a conjuntivite está associada à rinite alérgica, também podem ocorrer:
A intensidade pode variar ao longo do dia e conforme a exposição da criança.
Não. A conjuntivite alérgica não é causada por vírus ou bactérias e, portanto, não passa de uma pessoa para outra.
A criança não transmite alergia ao compartilhar o mesmo ambiente, brincar com outras crianças ou frequentar a escola.
Entretanto, nem todo olho vermelho é provocado por alergia. Quando existe dúvida sobre a causa, é importante procurar avaliação médica antes de concluir que a condição não é contagiosa.
A conjuntivite viral e a conjuntivite alérgica podem causar vermelhidão e lacrimejamento, mas apresentam algumas diferenças.
Na conjuntivite alérgica, são mais comuns:
Na conjuntivite viral, podem ocorrer:
A conjuntivite viral é contagiosa. A avaliação médica ajuda a diferenciar as duas condições e a orientar os cuidados necessários.
A conjuntivite bacteriana costuma produzir uma secreção mais espessa, amarelada ou esverdeada. Essa secreção pode deixar os cílios e as pálpebras grudados, principalmente ao acordar.
Na conjuntivite alérgica, a secreção tende a ser transparente ou esbranquiçada, e a coceira geralmente é mais intensa.
Outros sinais que podem sugerir uma infecção bacteriana são:
Essas características ajudam na avaliação, mas não substituem o diagnóstico médico. O uso de colírio antibiótico sem indicação não trata a conjuntivite alérgica e pode provocar irritação ou outras reações.
Sim. A conjuntivite alérgica pode causar uma secreção clara, aquosa ou esbranquiçada.
Em algumas crianças, a secreção pode ser mais espessa e formar pequenos filamentos, principalmente quando a inflamação é persistente.
Uma secreção amarela ou verde em grande quantidade, que deixa os olhos constantemente grudados, é mais sugestiva de uma causa infecciosa e precisa ser avaliada.
Não é esperado que a conjuntivite alérgica cause febre.
Quando a criança apresenta febre, mal-estar, dor de garganta ou sintomas de infecção respiratória junto com os olhos vermelhos, outras causas devem ser consideradas.
Também é possível que uma criança alérgica apresente uma infecção ao mesmo tempo. Por isso, sintomas novos ou diferentes do padrão habitual precisam de avaliação médica.
A associação entre conjuntivite alérgica e rinite é frequente porque o nariz e os olhos entram em contato com os mesmos alérgenos presentes no ambiente.
A criança pode apresentar simultaneamente:
Nesses casos, tratar apenas os olhos pode não ser suficiente. O controle da rinite e a redução da exposição aos desencadeantes também fazem parte do tratamento.
Sim. Embora esfregar os olhos possa proporcionar um alívio momentâneo, o atrito estimula a inflamação e pode aumentar a coceira, a vermelhidão e o inchaço.
Coçar com força também pode causar pequenas lesões na superfície ocular e favorecer infecções quando as mãos estão sujas.
Os responsáveis devem orientar a criança a evitar o hábito e manter as unhas curtas. Compressas frias podem ajudar a aliviar a coceira sem provocar atrito.
Quando a criança esfrega os olhos com muita frequência, é importante procurar avaliação para controlar adequadamente a inflamação.
O diagnóstico começa pela análise dos sintomas e do histórico da criança.
O médico pode investigar:
Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico. Quando existe suspeita de uma alergia ambiental específica, o alergista pode complementar a investigação com testes.
Não existe um único exame capaz de confirmar todos os casos de conjuntivite alérgica.
Quando os sintomas sugerem relação com ácaros, pólens, fungos ou animais, o alergista pode solicitar:
Também conhecido como prick test, avalia a sensibilização a diferentes alérgenos por meio da aplicação de pequenas quantidades dessas substâncias na pele.
O resultado aparece em alguns minutos e deve ser relacionado aos sintomas apresentados pela criança.
O exame de sangue pode identificar anticorpos relacionados a alérgenos específicos.
Um resultado positivo indica sensibilização, mas não confirma isoladamente que aquela substância seja responsável pelos sintomas nos olhos.
O diagnóstico depende da associação entre o histórico, o exame clínico e os resultados dos testes.
A avaliação com um oftalmologista pode ser necessária quando:
Dor ocular, perda de visão e sensibilidade intensa à claridade não devem ser atribuídas automaticamente a uma alergia.
A maioria dos casos apresenta sintomas leves ou moderados e pode ser controlada com medidas ambientais e tratamento adequado.
Entretanto, existem formas mais intensas de alergia ocular que podem causar inflamação persistente e comprometer a córnea.
A criança precisa de avaliação especializada quando apresenta:
Esses casos podem exigir acompanhamento conjunto com alergista e oftalmologista.
O tratamento depende da intensidade, da frequência dos sintomas e das outras doenças alérgicas apresentadas pela criança.
As principais medidas podem incluir:
O tipo de colírio, a frequência e o tempo de uso precisam ser definidos pelo médico. Nem todos os produtos disponíveis são adequados para crianças ou para uso prolongado.
Sim. A compressa fria pode reduzir temporariamente a coceira, a vermelhidão e o inchaço nas pálpebras.
Ela deve ser feita com um pano limpo ou uma gaze umedecida com água fria, colocada suavemente sobre os olhos fechados.
Não é recomendado usar gelo diretamente sobre a pele ou compartilhar toalhas e compressas entre pessoas.
A compressa proporciona alívio, mas não substitui o tratamento médico quando os sintomas são frequentes ou intensos.
O soro fisiológico pode ajudar na higiene externa e na remoção de partículas próximas aos olhos.
Entretanto, não se deve aplicar jatos com pressão, encostar a embalagem nos olhos ou utilizar soluções abertas e armazenadas de forma inadequada.
Lágrimas artificiais podem auxiliar na remoção de alérgenos da superfície ocular, mas devem ser usadas de acordo com a orientação médica, especialmente em crianças pequenas.
Receitas caseiras, chás e outras substâncias não devem ser aplicados nos olhos, pois podem causar irritação, contaminação e infecção.
Não. Colírios são medicamentos e não devem ser utilizados sem orientação.
Alguns produtos apenas reduzem temporariamente a vermelhidão e podem provocar piora após o uso repetido. Outros contêm antibióticos ou corticoides e possuem indicações específicas.
O uso inadequado de colírios com corticoide pode provocar efeitos importantes, como aumento da pressão dentro dos olhos, infecções e alterações na visão.
Também não se deve utilizar um colírio prescrito anteriormente para outra pessoa ou para outro episódio.
A escolha precisa considerar a idade da criança, a causa dos sintomas e as condições dos olhos.
Não. O antibiótico age contra determinadas bactérias e não trata a inflamação provocada por alergia.
Seu uso desnecessário pode causar ardência, irritação, reação ao próprio medicamento e contribuir para o uso inadequado de antibióticos.
Quando existe dúvida entre conjuntivite alérgica, viral e bacteriana, a criança deve ser examinada antes do início do tratamento.
Os cuidados dependem do alérgeno envolvido, mas algumas medidas podem ajudar:
Não é necessário realizar todas as mudanças sem identificar os fatores relevantes. As orientações devem ser adaptadas à rotina da família e ao resultado da avaliação.
Não necessariamente. A presença de sintomas perto de um animal não confirma sozinha que ele seja o causador da alergia.
A investigação deve considerar o histórico, o padrão das crises e, quando indicado, os testes alérgicos.
Quando a sensibilização a determinado animal possui relação clara com os sintomas, o médico pode orientar medidas para reduzir a exposição.
Decisões importantes sobre a permanência do animal na casa não devem ser tomadas apenas com base em um teste positivo.
O cloro e outras substâncias presentes na água podem irritar os olhos e aumentar a vermelhidão e o desconforto.
Essa irritação não significa necessariamente que a criança tenha alergia ao cloro.
Para reduzir os sintomas, pode ser recomendado:
Se os sintomas forem intensos ou persistirem após a atividade, a criança deve ser avaliada.
A imunoterapia com alérgenos, conhecida como vacina para alergia, pode ser considerada quando existe sensibilização confirmada e relação entre a exposição e os sintomas.
Ela costuma ser avaliada principalmente quando a criança também apresenta rinite alérgica e mantém sintomas frequentes apesar das medidas de controle e do tratamento medicamentoso.
O objetivo é modificar gradualmente a resposta do sistema imunológico ao alérgeno e reduzir as manifestações ao longo do tempo.
A imunoterapia não é indicada para todas as crianças. A decisão depende dos sintomas, dos testes alérgicos, das doenças associadas e da avaliação do especialista.
A tendência alérgica pode persistir, mas os sintomas podem ser controlados.
Algumas crianças apresentam crises apenas em determinadas épocas ou após exposições específicas. Outras possuem manifestações durante todo o ano, principalmente quando são sensíveis aos ácaros.
O controle dos desencadeantes, o tratamento correto dos olhos e das doenças associadas e, em casos selecionados, a imunoterapia podem reduzir a frequência e a intensidade dos episódios.
Como a conjuntivite alérgica não é contagiosa, a criança geralmente pode frequentar a escola quando está bem e consegue realizar suas atividades.
Entretanto, é importante confirmar a causa dos sintomas, principalmente quando o episódio é novo ou existem outras pessoas com olhos vermelhos no mesmo ambiente.
A criança pode precisar permanecer em casa quando:
A escola deve ser informada quando a criança possui alergia ocular recorrente e utiliza algum tratamento prescrito.
A criança deve ser avaliada rapidamente quando apresenta:
Em caso de contato com produto químico, os olhos devem ser lavados imediatamente com água corrente em abundância, e a criança precisa de atendimento de urgência.
Não. A coceira é muito comum na conjuntivite alérgica, mas também pode ocorrer em casos de olho seco, irritação, inflamação das pálpebras e outras condições.
A intensidade, a duração e os sintomas associados ajudam no diagnóstico.
Geralmente, sim. Um olho pode parecer mais afetado do que o outro, principalmente quando a criança esfrega mais um dos lados.
Sintomas persistentes em apenas um olho precisam ser avaliados.
Pode haver secreção transparente ou esbranquiçada. Uma secreção amarela ou verde em grande quantidade pode sugerir uma infecção e requer avaliação.
Pode ajudar em alguns casos, principalmente quando a criança também apresenta rinite. Entretanto, o medicamento e a dose devem ser definidos pelo médico.
Em determinadas situações, o tratamento tópico com colírios específicos pode ser mais adequado.
Não. A indicação, a concentração e a segurança do medicamento podem variar conforme a idade e a condição apresentada.
Colírios não devem ser compartilhados.
Os quadros leves geralmente não comprometem a visão. Formas intensas ou persistentes, entretanto, podem atingir a superfície ocular e precisam de acompanhamento especializado.
Alteração visual, dor ou sensibilidade importante à luz exigem avaliação.
Pode voltar quando a criança entra novamente em contato com o desencadeante ou quando a inflamação não está completamente controlada.
Identificar os alérgenos relevantes e tratar doenças associadas ajuda a reduzir novas crises.
Sim. Ácaros e outras partículas presentes na poeira doméstica podem desencadear sintomas nos olhos em crianças sensibilizadas.
Não é recomendado utilizar colírios apenas para “clarear” os olhos sem avaliação médica. Alguns produtos provocam alívio temporário e piora da vermelhidão após o uso repetido.
Não. Chás, água boricada e outras receitas caseiras podem irritar os olhos ou causar contaminação. Apenas produtos adequados para uso ocular devem ser utilizados.
A avaliação com uma médica especialista em Pediatria, Alergia e Imunologia ajuda a identificar se os sintomas nos olhos estão relacionados a ácaros, pólens, fungos, animais ou outros fatores.
Também permite avaliar a presença de rinite, asma e dermatite atópica, condições que podem ocorrer junto com a conjuntivite alérgica.
A Dra. Lara Novaes Teixeira é Pediatra, Alergista e Imunologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, com título de especialista pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
O atendimento considera o histórico da criança, a frequência das crises, os ambientes relacionados aos sintomas e, quando necessário, a indicação de testes alérgicos e avaliação oftalmológica.
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Se seu filho apresenta coceira, vermelhidão, lacrimejamento ou inchaço frequente nos olhos, agende uma avaliação com a Dra. Lara Novaes.
O diagnóstico correto ajuda a diferenciar alergia de outras causas de conjuntivite, identificar possíveis desencadeantes e orientar um tratamento seguro para a criança.
Especialista em Alergia, Imunologia e Pediatria, com atendimento no bairro Bela vista, em São Paulo e no bairro Santo Antônio, em São Caetano do Sul
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