06 de julho 2026
A crise de asma em crianças pode começar com tosse, chiado no peito, respiração acelerada ou dificuldade para respirar. Em alguns casos, os sintomas são leves no início e pioram ao longo das horas. Em outros, a dificuldade respiratória pode surgir de forma rápida.
Reconhecer os primeiros sinais e seguir o plano de tratamento prescrito para a criança ajuda a evitar o agravamento do quadro. Também é fundamental saber identificar quando a crise exige atendimento imediato.
A asma pode ser controlada, mas as crises não devem ser subestimadas. Mesmo crianças que apresentam poucos sintomas entre os episódios podem desenvolver uma exacerbação importante.
Neste artigo, a Dra. Lara Novaes, médica Pediatra, Alergista e Imunologista, explica como identificar uma crise de asma infantil, o que os responsáveis devem fazer, quais sinais indicam gravidade e como reduzir o risco de novos episódios.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias. Durante uma crise, também chamada de exacerbação, os brônquios ficam mais estreitos, inflamados e podem produzir uma quantidade maior de secreção.
Essas alterações dificultam a passagem do ar e podem provocar:
A intensidade da crise pode variar. Algumas crianças apresentam sintomas leves, enquanto outras desenvolvem dificuldade respiratória importante e precisam de atendimento de emergência.
Os sinais podem ser diferentes conforme a idade e a intensidade da crise.
Os sintomas mais frequentes são:
Nem toda criança apresenta chiado audível. Em alguns casos, a tosse persistente, especialmente à noite ou durante atividades físicas, pode ser a manifestação mais evidente.
Crianças pequenas nem sempre conseguem explicar que estão com falta de ar. Por isso, os responsáveis devem observar mudanças na respiração, no comportamento e na disposição.
A crise nem sempre começa com falta de ar intensa. Alguns sinais iniciais podem aparecer antes do agravamento.
Entre eles estão:
Identificar essas mudanças permite seguir precocemente o plano de ação definido pelo médico.
As crises podem ser provocadas ou agravadas por diferentes fatores.
Os desencadeantes mais comuns incluem:
Uma mesma criança pode possuir mais de um desencadeante. A identificação depende da observação do padrão das crises e, quando necessário, da investigação alérgica.
Sim. As infecções virais estão entre os desencadeantes mais frequentes de crises de asma na infância.
A criança pode começar com coriza, congestão nasal, dor de garganta ou febre e, posteriormente, apresentar tosse, chiado e dificuldade para respirar.
Nem todo episódio de chiado durante uma infecção significa que a criança tenha asma, especialmente nos primeiros anos de vida. Entretanto, crises recorrentes, sintomas fora dos resfriados, histórico de alergias e resposta aos medicamentos podem aumentar a suspeita.
A avaliação médica é necessária para diferenciar asma de outras causas de chiado.
Sim. Em crianças sensibilizadas, a exposição aos ácaros, à poeira, aos fungos, aos pólens ou às partículas de animais pode desencadear sintomas respiratórios.
A crise pode surgir após:
Nem toda criança com asma apresenta uma causa alérgica. Os testes precisam ser indicados e interpretados de acordo com o histórico clínico.
Quando os primeiros sintomas surgirem, os responsáveis devem manter a calma e seguir o plano de ação prescrito para a criança.
De forma geral, é importante:
A quantidade de medicamentos, o intervalo entre as aplicações e o momento de procurar atendimento devem estar definidos no plano individual da criança.
Não é seguro copiar a prescrição de outra pessoa ou alterar as doses por conta própria.
O plano de ação é uma orientação escrita e individualizada que explica como os responsáveis devem agir diante de mudanças nos sintomas.
Ele pode incluir:
O documento deve ser revisto periodicamente, principalmente quando há alteração no tratamento ou quando a criança apresenta uma nova crise.
A criança precisa de atendimento imediato quando apresenta sinais de dificuldade respiratória importante.
Os principais sinais de alerta são:
A redução ou o desaparecimento do chiado nem sempre significa melhora. Em uma crise muito grave, pode haver pouca passagem de ar, o que reduz o som do chiado.
Diante desses sinais, procure imediatamente um serviço de emergência. Não espere a crise passar sozinha.
A criança deve ser avaliada quando:
Uma crise que melhora após o medicamento também pode indicar que o controle da asma precisa ser reavaliado.
Algumas medidas podem atrasar o tratamento correto ou piorar a situação.
Durante uma crise:
A crise de asma acontece nos brônquios e não é resolvida apenas com lavagem nasal, chás, mel ou xaropes.
Não. O vapor de água não substitui os medicamentos indicados para tratar a crise.
Além de não controlar a inflamação ou o estreitamento dos brônquios, o uso de água quente pode causar queimaduras.
Nebulização também não significa apenas inalar vapor. Quando indicada, ela utiliza medicamentos específicos, nas doses prescritas por um profissional.
Quando corretamente indicada e utilizada, a medicação inalatória é uma das formas mais importantes de tratar a asma.
O medicamento chega diretamente às vias respiratórias, o que permite utilizar doses adequadas para controlar os sintomas e a inflamação.
A bombinha não causa dependência. A necessidade frequente do medicamento de alívio pode indicar que a asma está descontrolada, e não que a criança esteja viciada no produto.
Os efeitos adversos dependem do tipo de medicamento, da dose, da técnica e do tempo de uso. Por isso, o tratamento deve ser acompanhado pelo médico.
Os medicamentos para asma possuem funções diferentes.
É utilizado para reduzir rapidamente sintomas como chiado, falta de ar e aperto no peito, conforme o plano prescrito.
Ele age principalmente sobre o estreitamento das vias respiratórias, mas não substitui o tratamento contínuo da inflamação.
A necessidade frequente de medicação de alívio é um sinal de alerta para falta de controle da asma.
É utilizado regularmente para reduzir a inflamação dos brônquios, prevenir sintomas e diminuir o risco de novas crises.
Os corticosteroides inalatórios estão entre os principais medicamentos controladores.
A criança pode parecer bem e ainda precisar manter o tratamento. O controlador não deve ser suspenso por conta própria quando os sintomas desaparecem.
A aerocâmara é um dispositivo acoplado ao inalador. Ela facilita a chegada do medicamento às vias respiratórias e reduz a quantidade que fica depositada na boca e na garganta.
Seu uso é especialmente importante em crianças, que podem ter dificuldade para coordenar o disparo da bombinha com a inspiração.
Crianças menores costumam utilizar a aerocâmara com máscara. As maiores podem utilizar o bocal quando conseguem fazer a técnica corretamente.
A máscara deve ficar bem ajustada ao rosto. Vazamentos podem reduzir a quantidade de medicamento inalada.
A técnica deve ser demonstrada e revisada nas consultas, pois erros na utilização podem fazer o tratamento parecer ineficaz.
A escolha depende do quadro, da idade, do medicamento indicado e da capacidade de utilizar o dispositivo corretamente.
Em muitas situações, o inalador dosimetrado com aerocâmara pode oferecer uma administração eficiente do medicamento e ser mais rápido e prático.
A nebulização pode ser utilizada em situações específicas, conforme a avaliação médica ou o protocolo do serviço de emergência.
O mais importante é usar o medicamento correto, na dose prescrita e com a técnica adequada. Não se deve substituir um método pelo outro sem orientação.
A equipe avalia a intensidade da crise e observar aspectos como:
O tratamento pode incluir medicamentos inalatórios para aliviar o estreitamento dos brônquios, corticoide sistêmico em situações indicadas, oxigênio e observação da resposta clínica.
Crises graves podem exigir internação e monitoramento contínuo.
A conduta depende da idade, da gravidade, dos tratamentos já realizados e da evolução da criança.
Não. O chiado pode ocorrer em diferentes condições, principalmente nos primeiros anos de vida.
Entre as possibilidades estão:
A repetição dos episódios, a presença de sintomas fora das infecções, o histórico familiar, as doenças alérgicas associadas e a resposta ao tratamento ajudam no diagnóstico.
Uma criança que apresenta chiado pela primeira vez deve ser examinada, especialmente quando há dificuldade para respirar.
O diagnóstico considera o histórico, o exame físico e o padrão dos sintomas.
O médico investiga:
Em crianças maiores, a espirometria pode auxiliar na confirmação do diagnóstico e na avaliação do funcionamento dos pulmões.
Nos menores, o diagnóstico é predominantemente clínico, pois nem sempre é possível realizar exames de função pulmonar com resultados confiáveis.
A asma pode não estar adequadamente controlada quando a criança apresenta:
A ausência de uma crise grave recente não significa, necessariamente, que a doença esteja controlada.
O objetivo do tratamento é permitir que a criança durma, estude, brinque e pratique atividades físicas sem limitações causadas pela asma.
A prevenção envolve o tratamento da inflamação e o controle dos fatores associados.
Os principais cuidados incluem:
Medidas ambientais devem ser direcionadas aos fatores que realmente possuem relação com os sintomas da criança.
Sim. Rinite e asma frequentemente ocorrem na mesma criança.
A inflamação e a obstrução nasal podem prejudicar o sono, aumentar a respiração pela boca e contribuir para o desconforto respiratório.
Espirros, coriza, coceira e nariz entupido também podem indicar exposição a alérgenos capazes de agravar a asma.
O tratamento conjunto das vias respiratórias superiores e inferiores ajuda a melhorar o controle clínico.
Sim. Crianças com asma controlada podem e devem participar de atividades físicas.
A presença de tosse, chiado ou falta de ar durante os exercícios pode indicar que o tratamento precisa ser ajustado.
A criança não deve ser afastada permanentemente das atividades por causa da asma. O objetivo é controlar a doença para que ela possa brincar e praticar esportes com segurança.
O médico pode orientar aquecimento, tratamento preventivo e cuidados específicos quando os exercícios desencadeiam sintomas.
Durante uma crise aguda, a atividade deve ser interrompida até a recuperação.
A escola e os cuidadores precisam conhecer o diagnóstico e saber como agir.
É importante fornecer:
Os medicamentos devem ser armazenados de forma acessível aos adultos responsáveis, conforme as regras da instituição.
A criança não deve ficar sozinha durante uma crise.
Sim. A crise indica uma perda de controle e pode exigir revisão do tratamento.
Na consulta, o médico pode avaliar:
Mesmo quando a criança melhora, é importante entender por que o episódio ocorreu e como reduzir o risco de repetição.
Pode. Tosse frequente durante a noite, ao acordar, ao correr ou ao rir pode estar relacionada à asma.
Outras causas também devem ser consideradas. A avaliação médica é necessária quando o sintoma se repete ou prejudica o sono.
Sim. Algumas crianças apresentam principalmente tosse, respiração acelerada, cansaço e dificuldade para respirar.
Em crises muito graves, a passagem de ar pode estar tão reduzida que o chiado se torna pouco perceptível.
A asma não causa febre. Entretanto, infecções que provocam febre podem desencadear uma crise em crianças asmáticas.
Não. Os medicamentos inalatórios não causam dependência. A utilização frequente do remédio de alívio pode indicar que a doença não está controlada.
Depende da idade, do tipo de dispositivo e da capacidade de realizar a técnica corretamente. Para muitos inaladores dosimetrados, a aerocâmara facilita a administração e é especialmente importante na infância.
Não. Antibióticos não tratam a inflamação ou o estreitamento dos brônquios provocado pela asma.
Eles somente são indicados quando existe uma infecção bacteriana diagnosticada ou suspeitada pelo médico.
Os xaropes não tratam a obstrução dos brônquios e podem atrasar o uso do tratamento adequado.
Não devem ser utilizados por conta própria durante uma crise.
Ela pode descansar quando está respirando confortavelmente e apresentou a resposta esperada conforme o plano de ação.
Se ainda houver respiração acelerada, esforço, chiado intenso, tosse contínua ou sonolência incomum, é necessário procurar atendimento.
A asma é uma doença crônica e não possui uma cura definitiva. Entretanto, pode ser controlada, e muitas crianças apresentam redução dos sintomas com o crescimento e o tratamento adequado.
Sim. Os sintomas podem evoluir ao longo de minutos ou horas. Por isso, é importante iniciar a conduta prescrita nos primeiros sinais e observar a resposta.
Nem sempre, principalmente porque infecções virais podem ocorrer mesmo com todos os cuidados. Entretanto, o tratamento controlador, a técnica correta e o plano de ação reduzem significativamente o risco e a intensidade dos episódios.
A necessidade depende da idade, do histórico e do plano definido pelo médico. A medicação de alívio deve estar acessível aos adultos responsáveis pela criança, inclusive na escola e durante os passeios.
A avaliação com uma médica especialista em Pediatria, Alergia e Imunologia ajuda a confirmar o diagnóstico, identificar possíveis desencadeantes e definir um plano de tratamento adequado para cada criança.
O acompanhamento também permite revisar a técnica do inalador, avaliar o controle da asma, tratar alergias associadas e preparar a família para agir diante dos primeiros sinais de uma crise.
A Dra. Lara Novaes Teixeira é Pediatra, Alergista e Imunologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, com título de especialista pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
O atendimento considera o histórico da criança, a frequência dos sintomas, as crises anteriores, os tratamentos utilizados e os possíveis fatores ambientais envolvidos.
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Se seu filho apresenta crises de tosse, chiado, falta de ar ou cansaço durante as atividades, agende uma avaliação com a Dra. Lara Novaes.
O diagnóstico e o acompanhamento adequados ajudam a controlar a asma, reduzir o risco de novas crises e oferecer mais segurança para a criança e sua família.
Especialista em Alergia, Imunologia e Pediatria, com atendimento no bairro Bela vista, em São Paulo e no bairro Santo Antônio, em São Caetano do Sul
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