06 de julho 2026
Espirros, coriza, nariz entupido e tosse podem aparecer tanto em um resfriado quanto em uma crise de rinite alérgica. Como os sintomas são parecidos, é comum que os responsáveis tenham dificuldade para entender o que está acontecendo com a criança.
Algumas características podem ajudar nessa diferenciação. Coceira intensa no nariz e nos olhos, crises repetidas de espirros e sintomas que pioram em contato com poeira sugerem alergia. Febre, dor de garganta, mal-estar e sintomas que evoluem durante alguns dias são mais compatíveis com uma infecção viral.
Entretanto, não existe um único sinal capaz de confirmar a causa. A criança também pode apresentar alergia e uma infecção respiratória ao mesmo tempo.
Neste artigo, a Dra. Lara Novaes, médica Pediatra, Alergista e Imunologista, explica as diferenças entre resfriado e alergia em crianças, quais sintomas devem ser observados e quando é importante procurar avaliação médica.
O resfriado é uma infecção das vias respiratórias superiores causada por vírus.
Diferentes vírus podem provocar o quadro, que costuma afetar o nariz, a garganta e, em alguns casos, os ouvidos e os brônquios.
A transmissão pode acontecer por partículas liberadas durante a fala, a tosse ou os espirros e pelo contato das mãos com secreções ou superfícies contaminadas.
Os sintomas geralmente começam de forma gradual, ficam mais intensos nos primeiros dias e depois apresentam melhora progressiva.
Crianças que frequentam creches e escolas podem ter vários episódios ao longo do ano, principalmente porque entram em contato frequente com diferentes vírus.
A alergia respiratória ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias normalmente inofensivas presentes no ambiente.
Na rinite alérgica, os principais desencadeantes podem incluir:
Ao entrar em contato com um alérgeno relevante, a mucosa do nariz fica inflamada e pode provocar espirros, coceira, coriza e obstrução nasal.
A alergia não é causada por vírus ou bactérias e não é contagiosa.
As duas condições podem causar:
Por causa dessa semelhança, é importante observar não apenas quais sintomas estão presentes, mas também como começaram, quanto tempo duram e em quais situações pioram.
| Característica | Resfriado | Alergia |
| Causa | Infecção viral | Reação a alérgenos |
| Contagioso | Sim | Não |
| Coceira no nariz | Pouco frequente | Muito comum |
| Coceira nos olhos | Pouco frequente | Comum |
| Espirros | Podem ocorrer | Geralmente em crises repetidas |
| Coriza | Comum | Comum e geralmente transparente |
| Febre | Pode ocorrer | Não é esperada |
| Dor de garganta | Comum | Pode ocorrer por irritação, mas é menos característica |
| Dores no corpo | Podem ocorrer | Não são habituais |
| Mal-estar | Pode ocorrer | Geralmente ausente |
| Início | Evolui ao longo de alguns dias | Pode começar rapidamente após a exposição |
| Duração | Costuma melhorar progressivamente | Persiste ou retorna enquanto houver exposição |
| Relação com o ambiente | Menos evidente | Pode piorar no quarto, durante a limpeza ou perto de animais |
Essa comparação ajuda a levantar uma suspeita, mas não substitui a avaliação médica.
Algumas características são mais frequentes em crianças com rinite alérgica:
A criança também pode apresentar um movimento repetido de esfregar ou levantar a ponta do nariz com a mão por causa da coceira e da congestão.
O resfriado pode ser mais provável quando a criança apresenta:
Os sintomas podem variar de acordo com o vírus e a idade da criança.
Bebês e crianças pequenas podem ficar mais irritados, dormir mal e apresentar dificuldade para mamar ou se alimentar por causa da congestão nasal.
A rinite alérgica não costuma causar febre.
Quando a criança apresenta aumento da temperatura junto com coriza e congestão nasal, é necessário considerar uma infecção viral ou outra condição.
A presença de febre não permite identificar qual vírus está envolvido e também não significa automaticamente que a criança precise de antibiótico.
Se a febre for persistente, alta ou acompanhada de queda importante do estado geral, a criança deve ser avaliada.
A coceira frequente no nariz é um dos sinais mais característicos da rinite alérgica.
Ela pode estar acompanhada de:
Embora uma infecção também possa causar irritação, a coceira intensa e recorrente favorece a suspeita de alergia.
A cor da secreção, isoladamente, não confirma a causa dos sintomas.
Na alergia, a coriza costuma ser clara e aquosa. Durante um resfriado, a secreção também pode começar transparente e ficar mais espessa, amarela ou esverdeada conforme o quadro evolui.
Essa mudança pode ocorrer em uma infecção viral e não significa, sozinha, que exista uma bactéria ou necessidade de antibiótico.
A avaliação precisa considerar:
Os sintomas de um resfriado geralmente ficam mais intensos nos primeiros dois ou três dias e depois começam a melhorar.
Muitas crianças apresentam melhora dentro de sete a dez dias. A tosse pode persistir por mais tempo, mesmo após a redução da coriza e da congestão nasal.
É importante procurar avaliação quando:
A duração pode variar conforme o vírus, a idade e as condições de saúde da criança.
Os sintomas alérgicos podem permanecer enquanto a criança estiver exposta ao desencadeante.
Uma crise pode durar horas, dias ou períodos mais prolongados. Também pode melhorar em um ambiente e voltar quando a criança retorna ao local de exposição.
Por exemplo, uma criança alérgica aos ácaros pode apresentar sintomas:
Quando os sintomas persistem por semanas ou aparecem repetidamente sem febre, a rinite alérgica deve ser investigada.
Sim. O resfriado é causado por vírus que podem ser transmitidos entre as pessoas.
A transmissão pode ocorrer por:
Alguns cuidados ajudam a reduzir a transmissão:
Não. A rinite alérgica não passa de uma criança para outra.
Ela acontece por uma reação individual do sistema imunológico aos alérgenos.
A criança com rinite pode frequentar a escola quando está bem e consegue participar das atividades.
Entretanto, antes de concluir que os sintomas são apenas alérgicos, é importante observar se existem febre, dor de garganta, mal-estar ou contato com pessoas doentes.
A tosse pode ocorrer nas duas situações.
No resfriado, ela costuma aparecer junto com dor de garganta, coriza, congestão e outros sintomas de infecção. Pode continuar por alguns dias após a melhora do restante do quadro.
Na rinite, a tosse pode acontecer por causa da secreção que escorre para a garganta, principalmente durante a noite ou ao deitar.
Uma tosse seca, noturna, desencadeada por exercício ou acompanhada de chiado também pode estar relacionada à asma.
A criança precisa ser avaliada quando a tosse:
A rinite pode causar irritação ou coceira na garganta, principalmente pela respiração pela boca ou pela secreção nasal que escorre para a região.
Entretanto, dor de garganta mais intensa, dificuldade para engolir, febre e mal-estar são mais compatíveis com uma infecção.
A avaliação médica pode ser necessária para diferenciar uma infecção viral de outras causas, como amigdalite bacteriana.
Sim. Uma criança com rinite alérgica também pode contrair uma infecção viral.
Durante o episódio, os sintomas habituais da alergia podem ficar mais intensos, e novos sinais podem aparecer, como:
Infecções respiratórias também podem desencadear crises de asma em crianças que possuem a doença.
Quando o quadro está diferente do padrão habitual, a família deve procurar orientação médica.
A gripe costuma começar de forma mais súbita e pode causar sintomas mais intensos do que o resfriado.
São possíveis manifestações da gripe:
Na alergia, febre, calafrios e dores no corpo não são esperados.
COVID-19, vírus sincicial respiratório e outros vírus também podem provocar sintomas semelhantes aos de um resfriado. A necessidade de testes depende do quadro, dos contatos, dos fatores de risco e da orientação médica.
Sim. Crianças com rinite não controlada podem apresentar coriza, congestão, tosse e irritação na garganta durante longos períodos.
Como os sintomas voltam com frequência, pode parecer que a criança está sempre resfriada.
Algumas características que sugerem rinite são:
A criança também pode ter resfriados verdadeiros ao longo do ano. O histórico detalhado ajuda a diferenciar os episódios.
Nem sempre. Crianças pequenas, especialmente as que frequentam creches e escolas, entram em contato com muitos vírus e podem apresentar vários episódios respiratórios durante o ano.
A frequência tende a diminuir conforme o sistema imunológico conhece diferentes agentes e a criança cresce.
Entretanto, a avaliação deve ser realizada quando as infecções são muito graves, prolongadas, incomuns ou acompanhadas de:
A quantidade de episódios, isoladamente, não determina a existência de uma alteração da imunidade.
O diagnóstico começa com o histórico e o exame da criança.
O médico pode perguntar:
Na maioria dos resfriados, exames laboratoriais não são necessários.
Quando existe suspeita de rinite alérgica, o alergista pode indicar testes de acordo com o histórico.
O teste pode ajudar quando os sintomas sugerem uma relação com alérgenos específicos.
A investigação pode incluir:
Também conhecido como prick test, avalia a sensibilização a substâncias como ácaros, fungos, pólens e partículas de animais.
O resultado é observado após alguns minutos e precisa ser relacionado aos sintomas.
O exame de sangue mede anticorpos relacionados aos alérgenos selecionados.
Um resultado positivo não confirma sozinho que aquela substância seja a causa da rinite. A interpretação deve considerar o histórico da criança.
Nem toda criança que espirra ou apresenta coriza precisa fazer testes. A indicação depende da possibilidade de o resultado ajudar no tratamento.
Na maioria dos casos, o organismo elimina a infecção viral sem necessidade de um tratamento específico.
Os cuidados podem incluir:
Mel pode ajudar a aliviar a tosse em crianças com mais de um ano. Ele não deve ser oferecido a bebês menores de um ano.
Xaropes, descongestionantes e combinações para gripe não devem ser administrados a crianças por conta própria.
Não. O resfriado é causado por vírus, e os antibióticos agem contra bactérias.
Utilizar antibiótico sem necessidade pode provocar efeitos adversos, reações alérgicas e contribuir para a resistência bacteriana.
A presença de secreção amarela ou verde não é motivo suficiente para iniciar um antibiótico.
O medicamento deve ser usado apenas quando houver uma indicação médica para uma infecção bacteriana.
Quando os sintomas sugerem rinite, os cuidados podem incluir:
Não é necessário transformar toda a casa ou retirar animais apenas com base em uma suspeita. As medidas devem ser direcionadas aos fatores relevantes para cada criança.
Sim. A lavagem nasal com solução salina pode ajudar tanto no resfriado quanto na rinite alérgica.
Ela auxilia na remoção de secreções, partículas e alérgenos presentes no nariz, além de aliviar temporariamente a obstrução.
A técnica, o volume e a frequência precisam ser adequados à idade da criança.
O médico pode orientar a maneira mais segura de realizar o procedimento, principalmente em bebês.
O antialérgico é utilizado para controlar determinados sintomas de alergia, como coceira, espirros e coriza.
Ele não elimina o vírus responsável pelo resfriado e não deve ser usado automaticamente para qualquer episódio de tosse ou coriza.
Alguns medicamentos também podem causar sonolência ou outros efeitos adversos.
Antes de oferecer um antialérgico, é importante confirmar a indicação e a dose adequada para a criança.
Descongestionantes nasais não devem ser usados em crianças sem orientação médica.
Alguns produtos proporcionam alívio rápido, mas podem causar efeitos adversos e piora da congestão após o uso repetido.
O tratamento da obstrução nasal depende da causa. Na rinite, o médico pode prescrever medicamentos específicos para controlar a inflamação.
A lavagem com solução salina é uma opção que pode ajudar, desde que seja realizada corretamente.
Na rinite alérgica, a criança pode frequentar a escola quando está bem e consegue participar normalmente das atividades, pois a condição não é contagiosa.
No caso de uma infecção respiratória, o retorno deve considerar:
Uma criança com febre, prostração ou dificuldade para respirar não deve permanecer na escola.
A criança deve ser avaliada quando apresenta:
O acompanhamento é especialmente importante quando os sintomas prejudicam o sono, a alimentação, as brincadeiras ou o desempenho escolar.
Procure atendimento imediatamente quando a criança apresentar:
Diante de sinais respiratórios graves, não espere os sintomas passarem sozinhos.
Pode sugerir alergia, principalmente quando os espirros aparecem em sequência e estão acompanhados de coceira e coriza clara.
Entretanto, o resfriado também pode causar espirros.
A coriza transparente ocorre com frequência na alergia, mas também pode aparecer nos primeiros dias de uma infecção viral.
A presença de coceira, repetição dos episódios e relação com o ambiente ajudam na diferenciação.
Sim. A secreção nasal pode escorrer para a garganta e provocar tosse, principalmente ao deitar.
Tosse noturna, durante exercícios ou acompanhada de chiado também pode indicar asma.
Pode, mas a coceira intensa nos olhos é mais característica da alergia.
Olhos com secreção, dor ou grande vermelhidão precisam ser avaliados.
Não necessariamente. A secreção pode ficar verde ou amarela durante a evolução de uma infecção viral.
A indicação de antibiótico depende do conjunto dos sintomas e da avaliação médica.
Não é um sintoma habitual. Dores no corpo, febre e mal-estar sugerem mais uma infecção viral.
Sim. A rinite pode ocorrer durante todo o ano, principalmente quando é provocada por ácaros e outros alérgenos presentes dentro de casa.
No inverno, a permanência em ambientes fechados pode aumentar a exposição.
O resfriado é causado por vírus. O ar frio não cria a infecção, mas mudanças de temperatura e ar seco podem irritar as vias respiratórias e piorar sintomas em algumas crianças.
Uma alimentação adequada é importante para a saúde, mas nenhum suplemento deve ser oferecido com a promessa de impedir todos os resfriados sem orientação médica.
Sim. Os sintomas podem começar em diferentes fases da infância, mesmo quando a criança já teve contato anterior com o alérgeno.
A tendência alérgica pode persistir, mas os sintomas podem ser controlados com medidas ambientais, medicamentos e, em casos selecionados, imunoterapia.
Sim. A criança pode apresentar rinite e contrair uma infecção viral ao mesmo tempo.
A febre deve ser atribuída à infecção ou a outra causa, e não à alergia isoladamente.
A avaliação deve ser considerada quando os sintomas persistem sem melhora, quando há piora após uma melhora inicial ou quando surgem febre importante, dor facial e alteração do estado geral.
A cor da secreção sozinha não confirma sinusite bacteriana.
O teste pode identificar sensibilização a alérgenos, mas não diagnostica um resfriado.
O resultado precisa ser relacionado ao padrão dos sintomas e ao histórico da criança.
A avaliação com uma médica especialista em Pediatria, Alergia e Imunologia ajuda a diferenciar sintomas provocados por infecções respiratórias daqueles relacionados à rinite, à asma e a outros quadros alérgicos.
O diagnóstico correto evita o uso desnecessário de medicamentos e permite orientar medidas específicas para a rotina da criança.
A Dra. Lara Novaes Teixeira é Pediatra, Alergista e Imunologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, com título de especialista pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
O atendimento considera a frequência dos episódios, o padrão dos sintomas, as possíveis exposições ambientais e a presença de outras manifestações alérgicas.
São Paulo – Liviance Ibirapuera
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São Caetano do Sul – Clínica Pediátrica Crescer
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Se seu filho apresenta espirros, coriza, nariz entupido ou tosse com frequência e você não sabe se os sintomas estão relacionados a resfriados ou alergia, agende uma avaliação com a Dra. Lara Novaes.
A investigação especializada pode identificar o padrão dos episódios, avaliar possíveis desencadeantes e orientar o tratamento mais adequado para a criança.
Especialista em Alergia, Imunologia e Pediatria, com atendimento no bairro Bela vista, em São Paulo e no bairro Santo Antônio, em São Caetano do Sul
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